Quando você visita o Rio de Janeiro, a paisagem te derruba logo que a Baía de Guanabara se faz à vista. É uma das paisagens mais bonitas que eu já tive a chance de ver fora da internet.

O Rio de Janeiro, como dizem, é bonito por natureza. Ele não precisa da estrutura da cidade para parecer mais bonito. Aliás, penso que se o Rio de Janeiro não fosse uma cidade em si, mas sim uma grande selva, eu me tornaria um Índio só para poder viver ali. Hahahaha, brincadeira, eu prefiro a cidade mesmo. É um mal da minha geração, talvez.

A noite carioca, minha fonte de renda.
O ônibus chegou e eu não tinha a mínima noção do que iria fazer ali. Tinha uma mochila comigo e algumas roupas, escova de dentes e 200 reais que tinha roubado da minha avó.

O que são 200 reais no Rio de Janeiro? Nada. Tive que aprender isso à duras custas. Mas, como diria Fernando Pessoa: Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. E naqueles quatros anos desde a morte do meu pai, a minha alma crescera imensamente.

Pular a infância ou a adolescência é um grande erro na vida de uma pessoa. Vivendo nesse estilo eu aprendi que a paciência vence qualquer problema, e que antes de correr precisamos aprender à andar.

Eu aprendi a andar no Rio de Janeiro.

Com os míseros 200 reais que eu tinha na carteira, resolvi procurar um lugar barato para ficar e encontrei um pensionato muito parecido com o que minha avó administrava. Conversando com a dona, disse ter 18 anos e que vinha do Paraná para o Rio para estudar. Era uma casa humilde e eu viveria dentro de um quarto que me caberia deitado. Contentei-me por achar alento ali, e ali viveria por mais seis meses.

Naquela época eu não sabia que me tornaria um garoto de programa e nunca tinha nem pensado nessa possibilidade. Eu, que nunca tinha nem beijado, vender meu tempo através disso parecia algo um tanto quanto inusitado. Mas a espontaneidade e o caos falam mais alto na vida de um cara sozinho.

Com a ingenuidade de um garoto de 15 anos, me pus a procurar emprego nas padarias que ali eu via e, por bondade, caridade e sorte, achei uma senhora que se dispusera a me empregar em sua humilde panificadora. Apesar de toda a mentira a respeito de idade e intenções, ela sabia que eu deveria ter no máximo 16 anos e que não era dali. O sotaque carregado do Paraná me denunciava. Lá eu ganharia o suficiente para pagar a moradia e ela me fornecia o almoço.

Sempre comi bastante, mas daquelas épocas pra lá eu começei a me satisfazer com um almoço por dia. Isso ajudou um pouco na perda de peso, afinal sempre fui "cheinho" e isso mais tarde viria a me ajudar.
Na padaria, trabalhava eu, uma filha da dona que tinha seus 20 anos e uma garota que tinha por volta disso também.

Era uma garota super bonita, na ingenuidade da atenção. Ela trabalhava ali desde o começo do ano e me tornei um grande amigo dela. Ela me considerava como seu irmão mais novo e, sem nenhuma segunda intenção, me levava ao cinema e à praia nos finais de semana.

Eu nunca gostei muito de frequentar a praia. Sempre quando ela me levava, todos os caras ficavam fitando seu corpo bonito e até mesmo alguns chegavam. Ela, sempre cordial, dizia que estava com seu irmão "menor"  e passava seu telefone para eles entrarem em contato depois.

Não tardou muito até eu perceber que ela era uma garota de programa.

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Meu nome é Enzo e tenho 22 anos. Sobrevivo como Michê no centro do Rio de Janeiro.

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