Na época em que conheci a Karina, "irmã" que mencionei no post anterior, eu não estava estudando.

Ela me matriculou em uma escola pública no Rio, eu sentia falta do ambiente escolar e tinha pedido isso à ela.
Ela disse que apreciava esse espírito de responsabilidade que eu tinha tão cedo, porém nunca contei minha origem verdadeira pra ela. Ela só viria a descobrir um tempo depois.


Os seis meses de Agosto para o final do ano se passaram e eu já não moraria mais no pensionato da Dona Amélia. Sem saber pra onde morar, pedi ajuda à dona da padaria que me empregara. Seu nome é Aristildes, mas todo mundo chamava ela de Dona Títe. Nesses seis meses que estive por ali, Dona Tite se tornou uma espécie de mãe pra mim e me levou para morar em sua casa.

O marido de Dona Tite havia falecido na mesma época em que minha mãe faleceu e era tudo muito recente para nós. Dona Tite se parecia um pouco com a minha vó, porém era mais instruida. Ela se parecia com a Dona Benta, do Sítio do Picapau Yellow, era bem carinhosa e me trazia um instinto maternal sem igual.

Quando fui morar com a Dona Tite, me lembrei da carta que havia deixado para minha avó - no caso, para meus tios uma vez que ela não sabia ler - e nunca esperei a reação dela. Provavelmente deve ter cortado o seu coração, mas depois de um tempo notei que ela não se esforçou a procurar, tampouco meus tios.

Saí no meio da madrugada e esperei no terminal até a manhã e o primeiro ônibus para o Rio chegar. Eu já era meio alto, mas tinha cara de moleque, e naquela época eles não pediam identidade para se embarcar nesses tipos de viagens.

Uma vez, na casa de Dona Tite, a filha dela tinha levado algumas amigas para passar a noite por lá e acabou me convidando para passar a noite com elas no quarto. Dona Tite não via mal algum nisso, assim como eu também não o via. As amigas da filha de Dona Tite - a Raquel - eram um pouco mais novas do que ela, pois ela havia parado de estudar uns anos antes de entrar na faculdade.

A princípio veríamos um filme chamado Deus é Brasileiro, lançamento daquele ano no cinema nacional, e depois dormiríamos. Pelo menos era isso que passava na minha cabeça à respeito do que ia acontecer.

Estava bastante calor e elas estavam de pijamas curtos. Estavamos todos deitados na sala e Dona Tite já tinha ido dormir. Lembro-me de suas palavras antes de dormir dizendo: - Juízo hein!. Naquela noite descobri um leque de coisas as quais nunca teria me importado em saber.

Estávamos em quatro. Eu, Raquel e mais duas amigas dela. Uma de 17 e outra de 20. Até então, na sala, deitados todos juntos nada acontecera. Após escassos 10 minutos de filme e, para minha GRANDE supresa, a Raquel começa a beijar a menina mais velha.

Eu nunca presenciei tal cena, duas garotas se beijando ali, a menos de um metro de mim. Mais tarde isso se tornaria um tanto quanto normal, porém agora isso era um misto de excitação e estranheza. A TV fora desligada e a escuridão tomou conta da casa. Enquanto Raquel e sua amiga se beijavam, a menina mais nova, de 17 anos, vinha conversar comigo. Após uma conversa natural e, diga-se de passagem, ingênua, Raquel disse para a garota: calaboca e beija ele logo, tá perdendo tempo.

Ela veio e me beijou. Ela não era lésbica, definitivamente, porém não se irritava com suas amigas sendo. Nos beijamos e, com uma pulsação cada vez maior, ela começou a tirar seu pijama leve. Eu não tinha controle algum sobre meu corpo. Ela ia me levando cada vez mais forte para um lado praticamente inexplorado. Eu estava ofegante, não sabia como reagir, ela montou em cima de mim e começou a cavalgar. Eu estava inerte. Mal mexia uma mão, não poderia controlar aquela sensação de uma maneira racional. Gozei duas vezes. Não sei definir se ela gozou ou não, não lembro detalhadamente e meu conhecimento nessa área era nulo.

Naquela noite eu só fiz sexo com ela, e foi a minha primeira vez de muitas que se seguiriam até hoje.

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I completely agree.

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Meu nome é Enzo e tenho 22 anos. Sobrevivo como Michê no centro do Rio de Janeiro.

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